Um projeto de pesquisa colaborativa para avaliar o valor do patrimônio cultural do Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, em parceria com o Instituto Inhotim, e com apoio financeiro do Arts and Humanities Research Council.

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A pesquisa Raízes de Resiliência acontece em uma das mais ricas regiões em história, cultura e belezas naturais do Brasil – o Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais. A região, que conta com a maior reserva de minério do Brasil,  é reconhecida por dois títulos de Patrimônio Mundial da Humanidade, concedidos pela UNESCO – Ouro Preto e Congonhas.

Essa região oferece séculos de história com sua arquitetura Barroca, igrejas, monumentos, sítios arqueológicos, culinária, rituais, artesanato, festivais religiosos e a beleza natural da Mata Atlântica e do Cerrado . No entanto, as comunidades locais, o meio ambiente e a rica herança cultural estão sob ameaça de catástrofes naturais e humanitárias associadas também ao avanço da mineração. As mais recentes rupturas de barragens causaram não só a contaminação ambiental, mas também a perda de milhares de empregos, afetando diretamente ou indiretamente quase mum milhão de pessoas.

Apesar de toda a importância cultural do Quadrilátero Ferrífero, até agora não havia pesquisas sistemáticas para mensurar o impacto desses desastres  à herança cultural da região ou à vida de comunidades artísticas locais.

Esse projeto chama atenção para a necessidade de se fazer uma avaliação maior do valor cultural dessa rica região para mitigar os riscos ambientais e prevenir futuros desastres. Além disso, quer explorar a resiliência das comunidades locais com foco no potencial criativo de artistas e de suas práticas tradicionais. Outro objetivo importante do projeto é destacar o papel da herança cultural na educação e influenciar mudanças de políticas públicas.

Raízes de Resiliência é um projeto-piloto que irá trabalhar de forma colaborativa com comunidades locais e em parceria com o Instituto Inhotim que tem o maior acervo de arte contemporânea da América Latina. Inhotim servirá como um hub cultural, o ponto central desta pesquisa.

Cinco organizações da região foram selecionadas para trabalhar de forma colaborativa com os pesquisadores da People’s Palace Projects (Queen Mary University of London), incluindo artistas indígenas e de comunidades quilombola. Eles vão participar de oficinas de arte e sessões de treinamento que irão ajuda-los a fazer um levantamento de suas práticas artísticas e entender melhor a importância de seus trabalhos.

Esses dados, suas histórias e o conhecimento cultural de suas práticas vão ser disponibilizados a educadores, legisladores e governos. A idéia é ajudar a estabelecer qual o papel da herança cultural no processo de transformação, resiliência e regeneração dessa região.

Ao final será montada uma exposição sobre o valor cultural dessas comunidades com o trabalho dos próprios artistas locais.

 

*Foto- Rosino