Seminário Internacional de Cultura e Mudanças Climáticas encerra a Semana do Clima em Londres, reunindo o presidente da COP 30, economista Mariana Mazzucato, designer Es Devlin, Eric Terena, entre outros.

Londres, 26 de junho 2026 – por Yula Rocha

Um canto tradicional dos povos Guarani e  Kaiowá para esfriar a Terra abriu o Seminário Internacional de Cultura e Mudanças Climáticas, realizado pelo MinC na famosa Somerset House às margens do rio Tamisa, em Londres. Nunca foi tão urgente falar sobre aquecimento global. Em meio a uma onda de calor recorde na Europa, o seminário encerrou a Semana do Clima na capital britânica com grandes nomes internacionais e uma plateia de cem convidados, entre fazedores de cultura, acadêmicos, sociedade civil e representantes de governo. Ao redor do público, fotos da exposição And Now the People Know (E agora as pessoas sabem, em tradução livre) da artista brasileira Letícia Valverdes em colaboração com o povo Munduruku, vítima da exploração ilegal de ouro na Amazônia.

Com o reconhecimento da cultura como objetivo estratégico da Agenda de Ação da COP30 em Belém, e o desafio de implementá-lo, o Seminário se propôs a responder algumas perguntas e reflexões

Como traduzimos o reconhecimento em ação?

Como criamos as condições para que a cultura contribua de forma significativa para as soluções climáticas?

Como conectamos governos, instituições culturais, artistas, povos indígenas, cientistas, comunidades e sociedade civil de maneiras que fortaleçam a ação coletiva?

Thiago Jesus – PPP co-director/ Foto: Paolo Paparesta/ Togada

Entre vários parceiros, o seminário foi realizado pelo Ministério da Cultura do Brasil em colaboração com a People’s Palace Projects da Universidade de Queen Mary e Julie’s Bicycle e UCL. 

O Embaixador do Brasil no Reino Unido, Antonio Patriota, e a chefe da divisão de parcerias da UNESCO, Meriem Bouamrane, fizeram o discurso de abertura do evento.

Meriem reiterou apoio a soluções que combinem ciência e diversas formas de conhecimento,e lembrou que a cultura é um bem comum, mas ainda carece de estrutura e financiamento para ser implementada na agenda climática.

As palavras da representante da UNESCO estavam em sintonia com o tema do primeiro painel – Governança para uma Transição Criativa e Sustentável: Uma Abordagem pelo Bem Comum – que reuniu o presidente da COP30, Embaixador André Correa do Lago, a economista Mariana Mazzucato, o cientista Tim Lenton, mediado por Maria Augusta Arruda, diretora do Centro Brasileiro de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

A economista sugeriu repensarmos o que comemos, como nos movemos, como construímos. Para Mazzucato, a arte e a cultura que instigam a imaginação coletiva são exatamente a resposta para um processo mais participativo essencial para a transição climática.

Mariana Mazzucato e Embaixador André Correa do Lago/ Foto: Paolo Paparesta/ Togada

E esse imaginário coletivo foi explorado na segunda mesa que se propôs a pensar o daqui pra frente – A Arte de Criar Futuros: Cultura, Narrativa e Imaginário Coletivo – que abriu com a poesia de Luís VI, enquanto os convidados voltavam para a última roda de conversa do evento. Mediada por Alison Tickell, fundadora da organização Julie’s Bicycle, a designer de grandes nomes da música Es Devlin, a vice-presidente de Justiça e Equidade da ClimateWorks Foundation, Makeeba Browne e o DJ e artivista Eric Terena.

Es Devlin / Foto: Paolo Paparesta/ Togada

Eric Terena encerrou tocando ao vivo um som imersivo de um catálogo de canções indígenas, criado em colaboração com Raffaela Fryer-Moreira, diretora do Laboratório de Antropologia Multimedia da University College London e da Amoenus.

Eric Terena/ Foto:  Yula Rocha

O evento em Londres não marca o fim dessa conversa; é parte de uma série de debates iniciados durante a presidência brasileira do G20, em 2024, e aprofundados na COP30.

A próxima etapa está marcada para a Semana do Clima em São Paulo,com o Terceiro Seminário de Cultura e Mudanças Climáticas que acontece em agosto.

Os seminários do MinC partem do propósito de fazer o mundo entender que a  cultura não é um pano de fundo para a ação climática: é uma infraestrutura que torna a transformação possível, na velocidade e na escala de que precisamos.

O Seminário em Londres foi realizado pelo Ministério da Cultura do Brasil em parceria com a Presidência da COP30, a People’s Palace Projects da Queen Mary University of London, a Julie’s Bicycle, o Instituto de Inovação e Propósito Público (IIPP) da University College London (UCL), a Embaixada do Brasil em Londres, o Instituto Guimarães Rosa e a Volans.

Maria Augusta Arruda / Foto: Paolo Paparesta/ Togada

Foto: Paolo Paparesta/ Togada