Primeiro curta brasileiro com co-direção indígena a vencer o prêmio tem direção de Piratá Waurá e Heloisa Passos
Toronto, 2 de maio de 2026 – O curta-metragem Replikka, co-dirigido pelo cineasta indígena Piratá Waurá (território do Xingu) e pela premiada diretora Heloisa Passos, foi eleito o Melhor Curta-Metragem Documental Internacional do Hot Docs 2026, o maior festival de documentários da América do Norte e um dos mais importantes do mundo. O prêmio qualifica o filme para concorrer ao Oscar de Melhor Curta-Metragem em documentário.
Replikka é o primeiro curta-metragem brasileiro com co-direção de um cineasta indígena a vencer o prêmio — um marco para o audiovisual indígena no cenário internacional. O filme é um desdobramento de quase dez anos de pesquisa colaborativa entre a People’s Palace Projects / Queen Mary University of London, Factum Foundation, antropólogos, arqueólogos, e o povo Wauja, em torno da preservação da gruta sagrada do Kamukuwaká. Replikka é uma realização coletiva de cineastas indígenas e não indígenas com a produtora 1504 dos Estados Unidos, o centro de arte e pesquisa a Peoples Palace Projects do Reino Unido, a Maquina Filmes do Paraná, a Associacão Indígena Ulupuwene do Mato Grosso, e a Fenda Filmes e Performance Filmes de São Paulo.
Memória, cosmologia e resistência
Replikka acompanha o ritual de inauguração da réplica em tamanho real da gruta sagrada do Kamukuwaká, vandalizada em 2018 — o mais importante patrimônio cultural dos povos do Xingu, tombado pelo IPHAN. A obra foi criada a partir da digitalização tridimensional das inscrições originais, unindo tecnologia à sabedoria ancestral xinguana.
Vozes do filme
“A réplica é um ato de resistência para preservar nossa história, cultura e cosmologia para as futuras gerações.”
— Akari Waurá, cacique da aldeia Topepeweke
“Este prêmio pertence ao povo Wauja e a todos que acreditaram que tecnologia e memória ancestral podiam caminhar juntas.”
— Heloisa Passos, diretora
“O Hot Docs reconhece não apenas nossa obra, mas a luta do nosso povo por memória e demarcação.”
— Piratá Waurá, diretor

Trajetória de festivais
Premiações e seleções
Melhor Direção & Melhor Edição de Som — Festival de Brasília (set. 2025)
Seleção Oficial Première Brasil — Festival do Rio (out. 2025)
Prêmio Canal Brasil de Melhor Curta — Panorama Coisa de Cinema (mar. 2026)
Menção Honrosa Melhor Curta Ibero-Americano — FICG, Guadalajara (abr. 2026)
Melhor Curta-Metragem Documental Internacional — Hot Docs, Toronto (maio 2026)
Próximas participações
As Amazonas do Cinema — Belém (maio 2026)
Indicado ao Prêmio ABC de Melhor Fotografia de Curta (maio 2026)
Brazilian Film Season, British Film Institute – Southbank — Londres (jun. 2026)
Festival Guarnacê de Cinema — São Luís (jul. 2026)
Sinopse
Na fronteira do Território Indígena do Xingu, uma gruta sagrada é vandalizada, ameaçando a memória coletiva dos povos do Xingu.
REPLIKKA é uma meditação sobre memória, identidade, perda e renascimento, à medida que uma réplica em tamanho real da gruta é concebida, produzida e instalada na aldeia Ulupuwene para transferir conhecimento para nova geração.
Esse filme nos convida a refletir sobre o conhecimento ancestral do povo Wauja e como tecnologia e sabedoria Indígena podem se unir como um ato de resistência.
Dirigido por Piratá Waurá (Território do Xingu) e Heloisa Passos (São Paulo), o filme se constrói a partir de um ritual e um sonho, inteiramente falado na língua indígena, aruaki, e realizado com apoio de jovens da aldeia.
Ficha Técnica
Título: Replikka (16’) | Idioma: Aruak (legendas em PT, EN, FR, ES)
Diretores: Piratá Waurá e Heloisa Passos
Produtores: Heloisa Passos, Mark Slagle, Yula Rocha | Prod. exec.: Mark Slagle, Andrea Lanzoni
Realização: Associação Indígena Ulupuwene, People’s Palace Projects / Queen Mary University of London, 1504, Maquina Filmes
Premières: Estreia mundial: Festival de Brasília 2025 | Estreia norte-americana: Hot Docs 2026

Veja o trailer